Contratos jurídicos: o que são, como fazer e regras

Mão feminina assinando contratos jurídicos sobre uma mesa de madeira.

Para qualquer empresa ou escritório de advocacia, os contratos jurídicos representam a base de quase todas as relações comerciais e profissionais. Eles são instrumentos fundamentais para garantir a segurança jurídica, estipular obrigações e proteger os interesses das partes envolvidas.

Neste artigo, você entenderá detalhadamente o que são esses documentos, como elaborá-los corretamente com um software jurídico e quais são as regras essenciais para que tenham validade. Compreender profundamente a estrutura desses instrumentos é o primeiro passo para evitar litígios e garantir que os acordos firmados tenham plena força perante a lei.

O que são contratos jurídicos?

Em termos técnicos, um contrato jurídico é um negócio jurídico bilateral ou plurilateral que visa criar, modificar, resguardar, transferir ou extinguir direitos. 

Para quem busca entender o que é contrato jurídico, a definição mais clara é a de um acordo de vontades que gera obrigações exigíveis. Ele não é apenas um papel assinado; é o registro formal de um consenso que possui força vinculante.

A essência de qualquer contrato legal reside na autonomia da vontade. Isso significa que as partes têm liberdade para contratar o que desejarem, desde que respeitem os limites impostos pela legislação e pela função social do contrato.

No entanto, é importante compreender que essa liberdade não é absoluta. No cenário jurídico atual, o princípio do Pacta Sunt Servanda (o contrato faz lei entre as partes) é frequentemente ponderado pelo princípio da boa-fé objetiva. 

Isso significa que, mesmo que algo tenha sido assinado, se uma das partes agiu com deslealdade, ocultou informações cruciais ou criou uma desproporção exagerada nas obrigações, o Judiciário pode intervir para reequilibrar ou anular cláusulas.

Além disso, a natureza do contrato muda as regras do jogo. Em contratos empresariais, presume-se que ambas as partes têm força equivalente e assessoria jurídica, o que valida cláusulas mais rígidas de riscos. Já em relações de consumo ou trabalhistas, a lei protege a parte mais vulnerável (hipossuficiente), limitando o que pode ou não ser negociado. 

Entender essa distinção é essencial para não redigir um contrato que pareça perfeito no papel, mas que seja considerado nulo por violar normas de ordem pública.

Leia também: Você sabe o que é um software jurídico e para que serve?

Requisitos de validade para um contrato jurídico

Para que um documento tenha eficácia e possa ser executado judicialmente, ele precisa preencher certos requisitos estabelecidos pelo Artigo 104 do Código Civil brasileiro. A ausência de qualquer um desses elementos pode tornar o negócio jurídico nulo ou anulável, prejudicando a estratégia das partes envolvidas.

Agente capaz e legitimidade

O primeiro pilar de validade refere-se a quem está assinando o documento. O agente capaz é aquele que possui plena capacidade civil para exercer atos da vida adulta, geralmente maiores de 18 anos ou emancipados. 

Essa capacidade civil diz respeito à aptidão legal para assumir obrigações por conta própria, mas deve ser acompanhada da legitimidade, que trata da relação direta do sujeito com o objeto do contrato. Por exemplo, apenas o proprietário de um imóvel, ou seu procurador legal, possui legitimidade para vendê-lo. 

Além disso, no caso de empresas, é fundamental verificar a representação para garantir que quem assina possui, de fato, os poderes previstos no estatuto social ou contrato social para vincular a pessoa jurídica ao acordo.

Objeto lícito, possível e determinado

O conteúdo do acordo, ou seja, o que está sendo contratado, também precisa seguir regras rígidas, pois quando o objeto do contrato é contrário à lei, todo o documento perde sua validade. 

Para ser considerado um objeto lícito, o item ou serviço não pode ser proibido pela legislação ou pela moral e bons costumes

Além disso, deve haver a possibilidade física e jurídica de realização. Isso significa, por exemplo, que não é permitido vender um bem público ou um terreno na lua. Por fim, é necessária a determinação do objeto, garantindo que o contrato descreva com clareza o que está sendo negociado, incluindo quantidade, gênero e qualidade, para que ele seja classificado como um objeto determinado ou determinável.

Forma prescrita ou não defesa em lei

A regra geral no Direito brasileiro é a liberdade de forma, o que significa que muitos contratos podem ser feitos até verbalmente ou por escrito de forma simples. No entanto, existem exceções importantes em que a lei exige uma formalidade específica, como ocorre com a escritura pública. Contratos que visam a transferência de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 salários mínimos exigem obrigatoriamente que o documento seja lavrado em cartório.

Além disso, a validade depende de uma forma não defesa, o que significa que a escolha feita pelas partes não pode ser proibida por lei. Por fim, deve-se observar a solenidade de alguns atos que exigem ritos específicos para que terceiros tomem conhecimento, como o registro em cartórios de títulos e documentos.

Passo a passo para elaborar um contrato seguro

A elaboração de um documento robusto exige método. Não basta utilizar modelos genéricos encontrados na internet; é preciso adaptar o texto à realidade específica da transação. Um bom redator jurídico foca na clareza e na antecipação de problemas.

Qualificação das partes e objeto

A primeira seção de qualquer contrato deve identificar precisamente os envolvidos. Uma qualificação completa evita erros de identificação e facilita uma eventual citação judicial.

  • Dados pessoais: inclua nome completo, nacionalidade, estado civil, profissão, CPF, RG e endereço residencial.
  • Dados empresariais: utilize a razão social, CNPJ, endereço da sede e os dados do representante legal.
  • Descrição do objeto: defina com precisão o que está sendo contratado. Para um serviço, detalhe o escopo; no caso de um produto, especifique características técnicas e quantidades.

Cláusulas essenciais (obrigações, prazos e rescisão)

O corpo do contrato deve conter cláusulas que protejam ambas as partes e tragam previsibilidade. O equilíbrio entre os direitos e deveres é o que garante a saúde da relação jurídica.

  • Obrigações e direitos: liste o que cada parte deve fazer e o que tem direito a receber. Seja específico quanto a entregáveis e responsabilidades.
  • Preço e condições de pagamento: determine o valor exato, a moeda, o índice de reajuste e as datas de vencimento.
  • Prazo de vigência: explique se o contrato é por tempo determinado ou indeterminado.
  • Cláusula penal: defina multas para o caso de descumprimento de obrigações ou atrasos nos pagamentos.
  • Rescisão e extinção: preveja as condições para que qualquer uma das partes encerre o contrato antes do prazo, incluindo avisos-prévios e penalidades.
  • Foro de eleição: escolha em qual cidade ou comarca eventuais disputas judiciais serão resolvidas.

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A importância da gestão do ciclo de vida do contrato

Muitos profissionais cometem o erro de acreditar que o trabalho termina no momento da assinatura. Na verdade, a assinatura é apenas o início da fase crítica: a execução. É neste estágio que a maioria dos problemas surge, muitas vezes por falta de acompanhamento adequado.

O conceito de gestão do ciclo de vida do contrato envolve monitorar todas as etapas, desde a minuta inicial até o encerramento ou renovação. Sem um gerenciamento eficiente, as empresas perdem prazos de reajuste, esquecem de renovar serviços essenciais ou continuam pagando por algo que já deveria ter sido cancelado.

A falta de gestão contratual é, hoje, uma das maiores fontes de vazamento de receita nas empresas. Organizações perdem uma porcentagem significativa de seu faturamento anual simplesmente por não aplicarem os termos que negociaram: esquecem de cobrar a inflação anual, não aplicam multas por atraso de fornecedores ou perdem o prazo para notificar a não renovação automática de serviços que não usam mais.

A gestão eficiente do ciclo de vida precisa ter, por exemplo, um painel de controle ativo que avisa 90 dias antes de um contrato vencer, permitindo que a equipe jurídica e de compras renegocie condições melhores antes de ficar refém da renovação automática. Isso transforma o contrato de um documento estático em um ativo estratégico da empresa.

Além do impacto financeiro direto, existe o risco de compliance e proteção de dados. Um contrato armazenado em uma pasta física ou no drive pessoal de um funcionário que saiu da empresa representa uma vulnerabilidade crítica. Se esse documento contém dados pessoais sensíveis, sua exposição ou perda pode acarretar sanções baseadas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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